Adaptação da reforma ortográfica no mundo da comunicação

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02/03/2009 – 10h24m

O novo acordo ortográfico, que entrou em vigor em primeiro de janeiro deste ano, ainda gera polêmica entre gramáticos, escritores e professores de Língua Portuguesa.

Segundo o ministério de Educação, a medida deve facilitar o processo de intercâmbio cultural e científico entre os países que falam Português e ampliar a divulgação do idioma e da literatura portuguesa. Dentre os aspectos positivos apontados pela nova reforma ortográfica, destacam-se a redução dos custos de produção e adaptação de livros; a facilitação na aprendizagem da língua pelos estrangeiros e simplificação de algumas regras ortográficas.

Entretanto, mesmo tendo sido colocada em prática em janeiro de 2009, os falantes do idioma terão até dezembro de 2012 para se adaptarem à nova escrita.

Neste período, as duas normas ortográficas poderão ser usadas e aceitas como corretas nos exames escolares, vestibulares, concursos públicos e demais meios escritos. De acordo com o MEC, a partir de 2010 os alunos de 1º a 5º ano do Ensino Fundamental receberão os livros dentro da nova norma – o que deve ocorrer com as turmas de 6º a 9º ano e de ensino médio, respectivamente, em 2011 e 2012.

COMUNICAÇÃO

As novas regras da gramática devem ser implementadas não somente nas escolas e universidades, como também nas empresas de comunicação. Muitas empresas já estão se adaptando a essa nova realidade, algumas aplicam cursos de gramáticas, vídeo-aula, entre outras maneiras para difundir de vez essas novas regras gramaticais. Essa adaptação, segundo o editor de política do Jornal de Notícias, Hélio Machado, está sendo feita na redação e bem aceita pelos repórteres de maneira muito natural.

- Discutimos esporadicamente sobre isso na redação, procuramos sempre fazer o melhor, é pedido sempre para que eles verifiquem bem a nova escrita das palavras, e isso é feito através de manuais, ou pela internet – afirma.

Segundo ele, a reforma não era tão necessária, mas como já é uma realidade cabe à população aceitar e tentar se adaptar, colocar em prática.

- As mudanças não são tão significativas para que se contrate um professor de Português para auxiliar na redação. Cabe a cada um se policiar para escrever certo, a cada um se moldar e procurar fazer o melhor, se informar mais a respeito das novas regras. Na nossa redação não vejo essa opção de contratar um professor – diz.

Mas ele ainda afirma que se algum outro órgão estiver com problemas com relação à adaptação da reforma ortográfica, a contratação de um professor de Português seria apropriada.

DOMÍNIO DA MUDANÇA NA IMPRENSA

O professor de português e jornalista, Benedito Said, concorda com a opinião de Hélio quando diz que poderíamos viver sem a reforma ortográfica se formos pensar somente em Brasil. No entanto, ele afirma que a reforma ocorre para unificar as grafias em todos os países de língua portuguesa. Diz ainda que talvez a geração atual encontre alguma dificuldade para se adaptar às novas grafias, mas nada que um bom dicionário atualizado não possa resolver.

- A imprensa será vetor nobre para levar à população as mudanças ortográficas. Daí, o jornalista, o redator, o repórter da mídia imprensa, principalmente, ter obrigação de assumir imediatamente o domínio das novas regras ortográficas. Terá que escrever como a nova norma exige para que não induza o leitor ao erro. Por enquanto, falhas estão ocorrendo, mas o tempo vai eliminar esses escorregões – afirma Benedito.

De acordo com o professor, um grande valor na aplicação das novas regras ortográficas quando se observa o interesse da população em conhecer as mudanças. Quem nem tinha hábito de leitura foi buscar informação, ler um livro, compreender o que é oxítona ou paroxítona, questionar o uso do hífen, saber onde caiu o acento diferencial. E o jornal é fonte de informação e formação. Benedito informa que para facilitar a vida dos jornalistas, empresas de comunicação estão disponibilizando manuais com as novas regras ortográficas. É um atalho importante. A prática cuidará do restante.

- A Unimontes fez um miniguia prático do novo acordo ortográfico. Mas uma preocupação mais profunda, e para isso o jornal pode abrir um debate, é para saber se a professora do ensino básico está preparada para aplicar em sala de aula as novas regras – enfatiza.

Segundo ele ressalta, é evidente que ninguém irá ensinar regras aos alunos recém-chegados. Afirma que o material pedagógico, utilizado para a alfabetização, já esteja adaptado às novas convenções e naturalmente a criança absorverá o conhecimento sem comparações com o que existia anteriormente.

- Comparações servirão para os que já estão em formação ou estão formados. Mas se uma professora do ensino básico for para a sala de aula sem dominar esse conhecimento, aí o aluno poderá ser alfabetizado de maneira inadequada. As prefeituras deveriam criar cursos de capacitação para seus professores com esse fim específico – questiona.

Ele finaliza explicando que os métodos aplicados no ensino básico no Brasil privilegiam em demasia a alfabetização e não o letramento. Informa que as duas vertentes deveriam ser imbricadas na sala de aula. Desta forma, o aluno aprenderia a partir da leitura contextual e universal, sendo ao mesmo tempo alfabetizado. As novas regras ortográficas tornam-se grande instrumento para esta simbiose.
Fonte: O Norte de Minhas (http://www.vnews.com.br/noticia.php?id=44498)

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Data de criação: 02/03/2009
Última atualização: 20/03/2010

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