Crase antes de nome de lugar
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Na semana passada, estávamos lendo uma reportagem sorobre a política internacional do governo do Brasil. Estava tudo bem com o texto, até que nos deparamos com a seguinte frase: “Na viagem à Cuba, o presidente Lula encontrou protestos…”
O grifo no “a”, leitor, é para destacar a ocorrência de um erro muito comum: a crase antes de nome de lugar que rejeita artigo.
Observe que dizemos “Estive em Cuba”, e não “Estive na Cuba”. Logo, o nome “Cuba” rejeita a anteposição do artigo feminino “a”. Por isso, não há crase em “Na viagem a Cuba, o presidente Lula encontrou protestos…”
O macete para saber quando ocorre crase antes de nome de lugar é simples. Basta usar o verbo “voltar”. Se ficar “voltar da”, há crase. Se o resultado for outro, ficar “voltar de”, não há. Veja: “Eu voltei de Brasília”, logo, com Brasília não há crase. Caso diferente é o do nome “Bahia”, pois “Eu voltei da Bahia”.
Importante ressaltar que haverá crase se o topônimo (=nome de lugar) estiver determinado: “Fomos à Brasília dos grandes escândalos de corrupção”. A fórmula voltar de/da confirma a crase: “Voltei da Brasília dos grandes escândalos de corrupção”.
» Desafio ao leitor
» Não há desvio gramatical nem choque com a nova ortografia em:
a) A ultrassom não revelou o sexo da criança.
b) O ultrassom não revelou o sexo da criança.
c) A ultra-som não revelou o sexo da criança.
» Tire suas dúvidas
Palácio
Roma situa-se entre sete colinas: Aventino, Célio, Capitólio, Esquilino, Palatino, Quirinal e Viminal. Sobre uma delas, segundo a lenda, Rômulo fundou a cidade. O nome desta colina – Palatino – é a origem da palavra “palácio”.
São Luiz ou São Luís do Maranhão?
A grafia correta do nome da capital dos maranhenses é “São Luís”, com “s” e acento no “i”.
Terezina ou Teresina?
Tratando-se da capital do Piauí, o certo é “Teresina”, com “s”.
Aracajú ou Aracaju?
As oxítonas terminadas em “u” não levam acento. Logo, escreve-se “Aracaju”.
Lobby ou Lóbi?
No Jornal do Commercio, fazemos declaradamente lóbi para “lóbi”. Ora, se escrevemos “lobista” (e não “lobbysta”), por que não grafar “lóbi”? É uma questão de coerência. De mais a mais, esse aportuguesamento há muito está dicionarizado.
O alface ou a alface?
A palavra “alface” pertence ao gênero feminino. O correto, portanto, é “a alface”.
A tomate ou o tomate?
“Tomate” é palavra masculina. Portanto, “O tomate é rico em licopeno”.
O couve ou a couve?
O certo é “a couve”: “O preço da couve subiu muito esta semana”.
» A pergunta que não quer calar
Tenho ouvido muito comercial de rádio e TV com a expressão “preço mais barato”. O correto não seria “preço mais baixo”? (Antonio Neto – Olinda-PE)
Resposta
Não existe “preço caro” ou “preço barato”. Caros ou baratos são os produtos, as mercadorias, os serviços: “carro barato”, “aluguel caro”, “roupas baratas”.
Com relação a preço, é correto dizer que ele é baixo, módico, insignificante, alto, exorbitante, extorsivo ou abusivo.
Resposta do desafio
Pela nova ortografia, haverá a duplicidade do “r” e do “s” quando um prefixo terminado em vogal se ligar a palavra iniciada por uma dessas letras. “Ultrassom” (“ultra” + “som”) serve como exemplo da regra. E é “o ultrassom”, palavra masculina. Logo, letra “b” é a resposta correta.
Veja mais dicas do professor Laércio Lutibergue no blog Português na Rede.
Fonte: Jornado do Commercio Online




