Novas regras ortográficas derrubam mercado de livros usados em BH

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20/01/2010 06:20

O tradicional mercado de livros didáticos usados em Belo Horizonte perdeu fôlego este ano. As quedas nas vendas chegam a 40% em algumas livrarias da capital. O principal motivo para a baixa, de acordo com os lojistas, é a adequação das editoras à reforma ortográfica instituída em 2008 no país e com prazo de transição até 2012. Com isso, as escolas passaram a exigir edições mais atualizadas – o que significa que o segmento de livro didático usado continuará em queda até a completa implementação das novas regras. “As vendas caíram muito. Aqui na Livraria Ouvidor, chegam a 40%”, afirma o supervisor Bruno Ferreira. A livraria, localizada na Galeria do Ouvidor, no Centro de BH, um dos pontos de referência para quem quer comprar, trocar ou vender livros usados, está há 40 anos no mercado.

Os comerciantes informais de livros didáticos, aqueles que ficam disputando fregueses no grito em frente à galeria, também reclamam do mercado neste ano e o percentual de queda também beira os 40%. “Para ganhar R$ 100 por dia, a gente tem que lutar muito”, diz um vendedor que atua há nove anos em frente ao centro comercial e pediu para não ser identificado. O motivo é o mesmo: as novas regras ortográficas, que agora ameaçam de extinção – ou, pelo menos, de um tombo gigantesco – um dos mais tradicionais setores do comércio.

Patamar

Na Livraria Leitura da Avenida Paraná, outro ponto importante para o comércio de livros usados, a situação, da mesma forma, não é animadora. “A queda é de 20% e acredito que a vendas vão continuar assim até o início das aulas”, relata o gerente comercial Fernando Teles. Segundo ele, os mercados de livros novos e usados na livraria estavam no mesmo patamar em 2009, com 50% de participação cada. “Neste ano, a venda de novos é de 70% e a de usados de apenas 30%”, revela. Na Ouvidor, a média é parecida. “Os usados representam 40% da minha receita”, afirma Ferreira. Mesmo para quem registrou crescimento neste ano, a alta não foi tão expressiva. “De apenas 10%”, diz o gerente da Leitor, Josemar Vieira. O comércio de livros usados na livraria localizada na Galeria da Ouvidor responde por 60% das vendas.

Os consumidores também estão decepcionados com a queda no mercado. A bancária Lilian Andrade, acompanhada do filho Gabriel, de 13 anos, aluno do Colégio Monte Calvário, foi à Galeria do Ouvidor vender e comprar livros usados. “Cheguei com sete, mas só conseguir vender quatro, porque as edições já estão desatualizadas”, explica. Pelos quatro, conseguiu R$ 100, que foram creditados na sua conta de R$ 540. Na Ouvidor, ela comprou outros sete livros. Destes, apenas dois foram usados. “Apesar de não ter conseguido levar todos os usados, foi um economia boa. Qualquer desconto é bem-vindo, pois com o preço da venda de usados, consegui pagar um livro novo” calcula.

Já a técnica em química Fabiana Angélica Gurgel fazia as contas na Leitor. O total de R$ 671, incluindo material escolar, foi dividido em seis vezes. “Economizei cerca de 45% comprado livros usados”, diz ela, que dos 10 que levou para casa, cinco são usados. “Se tivessem todos, seria o ideal”, garante.

Inflação

Com a escassez de alguns títulos no mercado de usados, os próprios comerciantes chegam a inflacionar o comércio de livros. O comum entre as livrarias é pagar um quarto do valor livro se o cliente apenas vender e não levar nada. Se comprar, o preço chega a um terço do produto novo. “Tem livro que comprava por R$ 38 e agora pago até R$ 45, porque estão em extinção e ainda são procurados”, explica Josemar, da Leitor. A diferença de preços de usados e novos varia entre 45% e 50%.

A legislação no Brasil permite que as escolas particulares tenham autonomia na escolha de títulos mais atualizados. Segundo o presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares, José Augusto de Mattos Lourenço, a orientação é que as instituições se adequem o quanto antes à nova lei ortográfica. Para a coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Maria Inês Dolci, as escolas devem comunicar aos pais qualquer mudança, inclusive na escolha de novos títulos. “É importante expor todas as informações, que a escola está se adaptando à nova legislação ortográfica”, explica.

Banca de troca

Até sexta-feira, o Serviço Social do Comércio (Sesc-MG) promove o Banco de Troca de Livros Didáticos na biblioteca da instituição, no Centro de Belo Horizonte. No local, não há comércio de títulos, apenas troca de produtos entre os pais de alunos. Os livros aceitos abrangem todos as séries dos ensinos fundamental e médio. As trocas podem ser feitas apenas por títulos do mesmo grau, à exceção da 8ª séria para o primeiro ano. Os pais devem levar os livros antigos, juntamente com o comprovante de matrícula e a lista de material escolar original para 2010, fornecida pela escola. A biblioteca do Sesc fica na Rua Caetés, 603.

Fonte: UAI
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Data de criação: 20/01/2010
Última atualização: 20/03/2010

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